31 de março de 2025

A revolução dos mal-paridos

Meus caros, o que é hoje em dia o movimento marxista ou woke senão uma coletivização da dor? Uma espécie de grupo de autoajuda e de partilha de angústias entre aqueles que não se ajustam à sociedade e escolhem o conforto da companhia de quem com eles conspira pela salvação de um mundo que não precisa de ser salvo. Essa salvação faz-se, claro, pela destruição pura, sem sequer uma visão teórica e muito menos realista, que sirva como alternativa.

Na verdade, quem precisa de ser salvo são todos estes jovens e menos jovens "ativistas", um mosaico etário de indivíduos frustrados, perdidos, inadaptados, desajustados e disfuncionais, com graves falhas na sua sociabilizarão, educação, formação de valores e saúde mental. Serão vitimas? Sim, são, mas da insipiência da sua autopercepção e da distorção da sua mundivisão. Provavelmente resultando de pais dissociados, medrosos, não confrontacionais e confiantes no sector educativo do estado para lhes injetar milagrosamente as importantes vitaminas formativas que lhes faltaram em casa.

Portanto, a "revolução" dos tempos modernos resume-se a ser do contra só porque sim e fazer birra, promovendo irracionalmente a tal revolução dos mal-paridos.

Isto envolve ver apenas o lado negativo das coisas, rejeitando os factos objetivos e embarcando em narrativas fantasiosas propagadas nas redes sociais, é opor-se aquilo que é normal diabolizando tudo o que não têm, querem ou não são capazes de ter/fazer, é apoiar causas ditas "fraturantes", que validam as inconsistências intelectuais, éticas e sociais dos seres que as defendem. É assumir um papel de vítima reativa perante um "lobo mau" perverso e sanguinário que os quer aniquilar e condenar a uma vida de infeliz escravatura proletária. É pôr em causa a ciência, o contraditório, não ler nas entrelinhas, não ver as ‘nuances’ e subtilezas, não perceber que o mundo, ao contrário da sexualidade à nascença, não é binário, é profusamente policromático e complexo.

O bizarro é que este coletivismo cega naturalmente as pessoas relativamente ao seu poder e liberdade individuais, pois que, destruir é muito mais fácil que construir, acusar é muito mais fácil que concordar, exigir é muito mais fácil que trabalhar. Falam dos outros com um distanciamento assombroso, não entendendo que esses outros somos nós e nós somos esses outros. Com isto, revelam uma alienação social dissociativa preocupante que permite apoiar terroristas, negar a ciência e desejar arduamente um mundo felpudo, de esquinas acolchoadas, que não tem dureza, não aleija, não faz dói-dói, um mundo imbuído de uma censura e repressão balsâmicas.

Infelizmente o mundo nunca foi nem poderá ser fofinho. A sociedade faz-se de pessoas e as pessoas não são fofinhas, o mundo é e será sempre duro, a vida é e será sempre difícil em muitos aspetos. As pessoas são e serão sempre diferentes, haverá sempre desigualdade, quer seja por incapacidade, crueldade ou vontade própria. Pensar que se muda isto para melhor com guincharia, barramento de estradas, pichagens, espalhando mentiras, negando a história e a ciência, promovendo o terrorismo, o racismo, um neofascismo invertido e outras coisas tão más ou piores é sintoma de ser um indivíduo facilmente manipulável, ingénuo e utópico.

Acreditar que a revolução dos mal-paridos resolverá os problemas do mundo é apenas a imbecilidade levada ao extremo.

3 de junho de 2024

To be or not to be, that is the question



Não sei se William Shakespeare foi um pioneiro nestas coisas da ideologia de género, mas definitivamente acertou na pergunta do nosso tempo (que sim, é um desperdício de tempo). Toda a gente percebe que há uma diferença entre ser ou não ser, pode ser um conceito binário (pun intended). Mas ao não se ser, pode-se parecer, o que não significa que de facto se seja. Assim como há uma diferença entre o que se pode definir como identidade, e o que - de facto - se é. Quando alguém se "identifica" como sendo alguma coisa, não quer dizer que o seja, assim como ao afirmarmos que não somos determinada coisa, não quer dizer que não o sejamos. Pela negativa, se eu disser que não sou um espécimen de legume extremamente saudável e nutritivo, não quer dizer que tenha razão, obviamente não tenho.

A identidade pode ser vista como uma "etiqueta" mental que usamos para sermos reconhecidos de uma determinada maneira e gostamos que nos vejam da mesma forma que nos vemos a nós mesmos. No entanto, o que percebemos como a nossa identidade nem sempre corresponde à forma como os outros nos veem. O nosso ego é alimentado por uma forte identidade, e quanto mais forte ele pulsar, mais reconhecimento buscamos nos outros da nossa própria projeção de identidade.

Aqui é onde a ideologia de género se torna problemática, pois ela subverte a premissa básica de que a nossa identidade não é determinada, ou é pouco determinada, pelos nossos sentimentos ou conceitos identitários sobre nós mesmos. Na verdade, pode dizer-se que apenas se trata de uma opinião que temos de nós, que é provavelmente diferente, mas não mais válida, tão ou mais verdadeira, daquela que têm os outros, que nos veem e consideram da forma que bem entenderem.

E então, ser ou não ser? Qual é a questão mesmo?

O tentar impôr uma identidade aos outros, seja pelo prisma da identidade de género e das preferências sexuais ou, através da imposição de quaisquer outras ideias identitárias sejam elas de génese individual ou colectiva (sempre o socialismo, esse cancro), é por si só um acto impositivo de extrema agressividade e violência social, um claro atentado à liberdade alheia. Repare-se que individualmente pode pensar-se ser alguma coisa - identificar-mo-nos de uma determinada forma - sem sequer se permitir ao outro pensar que possamos ser outra coisa. Para além disso, ainda terá o outro de validar a minha identidade auto-atribuida, de me ver da mesma forma que eu me vejo a mim próprio, mesmo que isso contrarie toda e qualquer evidência biológica/científica/física e, como se não bastasse, têm de me atribuir os pronomes que eu exijo para validar uma não evidência muitas vezes puramente subjectiva.

Você sabe quem eu sou!? Claro que sabe! Eu estou a dizer-lhe. Só lhe resta acreditar e obedecer!

Parece-me a mim que, será muito mais inofensivo alguém ser chamado pelo pronome "errado" do que meter toda uma sociedade em polvorosa a discutir coisas tão primárias como "o que é uma mulher?" ou perante a estupidez e falta de bom senso atroz que é a imposição de "ideias" tão pouco fundamentadas, viáveis e úteis.

E esta febre identitária imberbe, proto-revolucionaria vai mais longe e quer-nos grafitar na testa, não o substantivo "pampa", mas uma série de disparates e etiquetas dividindo a sociedade em caixinhas, num apartheid multicolorido unicorniano, enaltecendo minorias muito "prá frentex" e atacando a maioria silenciosa e anuente (até ver) sem qualquer misericórdia.

Além disso, há uma inquietante componente doutrinária em que certos indivíduos parecem promover a dúvida sobre identidade e uma auto-afirmação de género alternativa ao mainstream, retratando-a como uma espécie de nova religião egocentrada, onde o profeta prega a negação do óbvio e a exploração de uma suposta diferença disfarçada de inclusividade. O grave é isto estar a ser promovido em escolas e universidades.

Como não somos cães (os wannabe`s que me perdoem) e não cheiramos o traseiro reciprocamente para determinarmos o nosso sexo. Como nos baseamos noutros sentidos e alvos para identificar o outro em termos de género, habitualmente de forma binária (o que é cada vez mais difícil, diga-se). Além disso, a menos que tenhamos algum interesse sexual ou romântico no outro, é para a grande maioria das pessoas completamente indiferente com quem ou com o quê se entretêm sexualmente, se podem ou não engravidar, se as mamas são de origem ou extra, se já pintaram o cabelo de azul ou se estão à espera que as hormonas façam efeito, isso é lá com "Elu", "Elx", "El@", "Elx", "El@", "El@s", "Ellxs", "Ell@s".

Resumindo, ninguém quer saber quem é que vocês são e ninguém tem nada a ver com isso. Apenas sejam e deixem ser.



"Every need got an ego to feed"

Bob marley - Pimper`s Paradise








15 de setembro de 2022

A fé no Estatismo e seus profetas

Nestes tempos de quase desespero eis que se reforça uma esperança antiga, como não poderia deixar de ser, essa esperança recai na salvação da humanidade através da fé, uma fé na palavra divina dos profetas vivos que nos vendem a ideia do estatismo, o estado salvador e providencial que nos irá garantir conforto e segurança das nossas convicções até ao final dos nossos dias.

Os apóstolos São Costa e São Marcelo, do alto da sua bondade, indicam-nos o caminho divino in civitate speramos de que o estado, esse hermético nivelador de almas, irá providenciar infinitamente e transformar água em gasolina.

Os grandes profetas, um, o Golden Retriever simpático que nos gosta de lamber a face e outro, o Rafeiro Alentejano que parecendo pachorrento, morde quando estamos de costas, indicam-nos o caminho luminoso, calibrando-nos a crença de que o estado é a resposta para todos os problemas, só que não...

Quando a fé nos paralisa a acção, quando nos embala na nossa vitimização e deixa de fora a vontade e o engenho humanos para lidar com os desafios, o caminho irá ser espinhoso. Quando os audazes são calados e os coitados escrevem o destino, esse destino não é luminoso, é um mar de mais e mais coitados num feedback de crença em luz que não existe. Como ouvi José Milhazes noutro dia dizer, "para vermos a luz ao fundo do túnel temos de encontrar o túnel primeiro" e a crença, a fé, tem a sua utilidade, mas não é o túnel, é apenas o reforço da nossa predisposição positiva para achar que o vamos um dia encontrar.


A necessidade faz o engenho e o engenho é que gera progresso e prosperidade, acreditar no estatismo é esquecer que o estado é em si o resultado do nosso esforço e engenho individual e é para aí que devemos direccionar a nossa "fé", é nisso que os "profetas", os nossos "lideres" têm de promover: a iniciativa privada e o crescimento individual. Ao estado não lhe compete salvar, competir, condicionar, dificultar, complicar, burocratizar, substituir, mas sim promover uma sã competição entre os vários agentes económicos, estabelecendo regras simples e claras, redistribuindo justamente alguns benefícios e apoios sociais e garantir que a sustentabilidade do sistema seja transgeracional. Uma analogia futeboleira poderia ser a de que o estado seria o árbitro, daqueles que deixam jogar, não dos que apitam por tudo e por nada, claro. Mas, nada disto está a ser tido em conta, mesmo o que parece ser feito para ajudar, não passa de uma pachorrenta e traiçoeira "trinca nas canelas", medidas de assistencialismo puro que não tratam as causas, mas apenas aliviam (poucochinho) os sintomas, enchendo os noticiários de reverências aos beneméritos profetas.




13 de fevereiro de 2022

Seca? Talvez porque São Pedro não é socialista.

 Os grandes líderes são aqueles que conseguem distinguir e identificar as subtilezas nas relações de causa efeito, diria também que esta sensibilidade é um sinal de inteligência. Nos antípodas desta postura está aquela em que o nosso ego nos possa levar a pensar que, por uma questão de fé ou por sermos predestinados, as coisas correm sempre como nos dá jeito só porque sim. No caso desta espécie de governo que nos atormenta com o seu wishfull thinking já lá vão 6 anos, esta última abordagem nas decisões é por demais evidente e decorre de uma mistura explosiva de wishful thinking com uma grande dose de não imputabilidade quanto às enormes responsabilidades que marcam ou deveriam marcar quem tem a incumbência de tomar decisões que podem influenciar os destinos de um povo por várias gerações.

Posto isto e na questão da seca é interessante constatar que mais uma vez foi uma decisão política  irresponsável que agravou - e muito -  este problema. Qual? A decisão de ter encerrado as centrais térmicas do Pego e de Sines por uma questão de ‘marketing ecológico’, provocou uma cadeia de acontecimentos que só se pode classificar como desastrosa. Não só se começou a importar mais energia eléctrica, alguma dela produzida igualmente com recurso ao carvão, para compensar a quebra na produção nacional, como se começou a aumentar drasticamente a produção de energia hídrica drenando as reservas de água já de si baixas das albufeiras nacionais, estando algumas com valores abaixo dos 20%. Isto, para além de altamente previsível, constitui mais um crime lesa-pátria perpetrado por esta espécie de governo, a juntar às duas mãos cheias de erros de várias índoles cometidos ao longo dos últimos 6 anos de pesadelo do processo de "venezuelização" em curso.

Já se sabe que a ignorância é muito atrevida, ainda para mais quando essa ignorância tem por base um ego de um António Costa, de um Carlos César, um Ferro Rodrigues, de um Galamba ou de um Pedro Nuno Santos, gente altamente qualificada e com uma vontade férrea de mostrar ao mundo como são importantes.

E assim se continua a destruir o futuro e a desbaratar oportunidades, sendo que o mais preocupante é que um povinho acomodado e egoísta continue a votar no seu "poucochinho" conforto imediato em troca de um futuro próspero para os seus filhos e netos.

Talvez a arrogância socialista vá ao ponto de pensar que, num acto xamânico, S.Pedro acorresse a meter água na "fervura" enchendo as albufeiras. Porém, aparentemente são Pedro não é socialista e quem meteu água mais uma vez foi o governo.


17 de maio de 2021

O fado do nacional porreirismo

Muito provavelmente e na senda que a vida tem de nos mostrar a sua ironia, é muito provavelmente o que mais apreciamos (e por sinal também o que quem de fora vem aprecia em nós portugueses) que nos vai lixar?
Pois é, nós os lusos temos uma certa crença de que somos uns gajos porreiros, autênticos cachorrinhos Labrador Retriver. Temos um sentimento amplamente difundido e consciente disso e alimentamos essa crença permanentemente. Se aparece um estrangeiro na Tv a realçar a nossa simpatia e disponibilidade, ficamos logo cheios de orgulho anfitrião. Até aqui nada contra...
O problema é que este vinco de personalidade colectiva, esta marca cultural, tendo as suas vantagens como é óbvio, tem alguns grandes inconvenientes...A começar por nos cegar relativamente a um facto muito evidente, mas que nos parece passar ao lado. Esse facto é simplesmente este: Por um lado nem toda a gente simpática é boa e bem intencionada, e por outro, nem toda a gente que é menos simpática é má ou mal intencionada. Mais importante ainda, nem toda a gente que é simpática é competente e honesta e não existe também ao que sei, nenhuma relação directa entre uma menor veia porreirista e desonestidade e incompetência.


Portanto, o que referi acima, leva a uma manifesta tendência para desvalorizar as falhas dos simpáticos, vendo apenas os seus atributos positivos e relativamente aos menos simpáticos, nem queremos ouvir o que eles têm para dizer por mais importante e realista que seja.
E na minha opinião é isto que explica que tenhamos agora um presidente da república absolutamente pateta e inútil (com selo de 60.7% porreirismo), um primeiro-ministro cínico e incompetente (38% porreirismo), e um líder da oposição também digamos...cinturão negro em porreirismo-maga, capaz das mais ternurentas fofices para com o governo, um querido até.
E se pensarmos um pouco, sendo o sistema partidário por si um intrincado sistema de networking intensivo, é fácil perceber que a porreiro-cracia é um fenómeno natural nestas circunstâncias, ou seja, os mais capazes de estabelecer relações, os mais sociáveis, os mais empáticos, são os que atingem o topo na hierarquia partidária. E como têm essas características atingem também o eleitorado potencialmente chegando a posições de poder.
Faz também o nacional porreirismo que não sejamos capazes de expressar o nosso protesto, indignação e expressar desagrado porque isso simplesmente não é porreiro, ainda para mais para contestar alguém simpático!? Nem pensar! Honra seja feita (ou talvez não) aos sindicatos e "activistas" de esquerda, que como sabemos não são, nem competentes, nem simpáticos, o que só comprova que a excepção confirma a regra.
Portanto, para atingir o topo na política, não basta ser correcto, cordial e assertivo, isso não chega, é preciso ser uma estrela, uma miss simpatia e acusar números generosos no porreirometro. Se Passos coelho tivesse o sorrizinho sapudo do Costa ou o pepsodente ninja do Marcelo, eram maiorias absolutas umas atrás das outras.
Por mim, apenas interessa o que dizem as pessoas no sentido se corresponde aquilo que fazem, para atentar da sua credibilidade, de resto avalio-as não tanto pela sua simpatia, mas sim pelas suas acções e valores, resumindo pelo seu carácter. O Ramalho Eanes é um bom exemplo disto e pode até levar a crer, que um estadista é tendencialmente um homem sério e de sorriso menos solto. 

Assim, talvez nos reste ser uma espécie de Cuba da Europa em que recebemos os turistas e fazemos tudo por eles, já que, das coisas bem Portuguesas que vai havendo para vender por cá são o sol e a simpatia e esta, não sendo obviamente um defeito, também não deve ser uma matriz de avaliação de carácter.



29 de abril de 2021

A Madre Teresa "veste" Prada

Estava o Bróculo ao primeiro espreguiço da manhã, como sempre, a pensar em como salvar o mundo e logo me vieram algumas ideias à cabeça, por sinal, algumas delas boas para variar. Vai daí, surgiu-me a seguinte questão:

Quem é que deveria ser a pessoa mais rica do mundo? (não, a resposta não é Carlos Moedas).

Será que essa pessoa, deveria ser aquela que metia os computadores da malta todos a crashar e que, de repente, desde que se reformou, a coisa melhorou? Será porventura justo que seja aquela pessoa que nos vende tudo e um par de botas (que nunca serve) através da internet? Será aquele gajo que dá uns pontapés na bola com vista a desacreditar as leis da física ou o anão que finta três na cabine telefónica, faz a chamada prometendo mais três iguais a quem atender? Por ventura, aquele gajo que nos mete todos a cuscar a vida uns dos outros, cuscando depois quem cusca? Seriam os cientistas que inventam a cura para as nossas maleitas, ou melhor, para única doença existente aos dias de hoje de seu nome covid 19? Será o rapaz que brinca com foguetões e carrinhos a pilhas e quer ir morar para Marte porque isto aqui está a ficar um pouco seco e empoeirado?

Num mundo ideal, talvez a pessoa mais rica do mundo devesse ser a melhor pessoa, a mais altruísta, generosa e inspiradora, contudo, por razões religiosas e miserabilistas originárias na religião católica, existe a crença generalizada, não só de que quem é rico não chega ao céu - já que São Pedro é um porteiro absolutamente incorruptível - como também de que, quem é altruísta, generoso e inspirador é um pobretanas que não tem onde cair morto.

Alguns dos exemplos que citei como pessoas que foram, são ou poderão vir a ser potencialmente as mais ricas do mundo (futebolistas à parte), como Bill Gates, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos ou Elon Musk, ficaram estupidamente ricos primeiro e só depois, eventualmente se tornaram generosos e altruístas filantropos. As más línguas poderiam dizer que depois de não saberem o que fazer com tanto dinheiro, resolvem doa-lo, às tantas numa operação de charme para com são S. Pedro, à procura do supremo "like".

Agora, falando de incentivos, qual é a motivação inconsciente para se querer ser altruísta (sim, sei o significado) se isso implica quase sempre no subconsciente colectivo, ser um pobre sacrificado? Porque terá o benfeitor de enriquecer primeiro para dar depois e não prosperar ao longo da sua vida oferecendo os seus préstimos ao bem comum?

Porque é que se a Madre Teresa vestisse Prada não seria a mulher que foi? Porque é que o miserabilismo é tão "fashion"?

Num mundo de inacreditável abundância (mal distribuída é certo) seria justo que aqueles que a partilham, criam ou induzam sempre usufruíssem dela.

A pessoa mais altruísta, generosa e inspiradora do mundo, ou seja, a pessoa mais rica, por mim, pode vestir o que quiser, mas o que quiser não tem de caridade.



16 de janeiro de 2021

O pangolineiro guloso

 Wuhan, Janeiro de 2021, algures nesta cidade habita um individuo que terá comido a refeição mais culposa que alguma vez a humanidade terá provado. Esqueçam as pizzas enqueijadas, os hambúrgueres laganhosos, os petiscos regionais, os doces conventuais ou francesinhas. Isto foi um míssil inter-continental alimentar a que um Pangolineiro guloso não resistiu, sucumbindo ao delicado perfume da carne do curioso bicharoco, com a língua do tamanho do corpo (um pouco como o nosso presidente da república) e que, ao comê-lo, se tornou num fazedor de história. Não é uma história boa como sabemos, ser o número #1 tem destas coisas, muitas vezes esta condição cega ou prejudica os que se/nos seguem. Trata-se de uma questão de culpa e responsabilidade.

Noutras latitudes temos outro pedaço de biologia "humana", fúria carotena por excelência, a gula que o alimenta não é tão inocente, já não se trata do simples aroma da iguaria com total desconhecimento das inimagináveis consequências. O pangolineiro guloso de Wuhan matou milhões de pessoas sem imaginar que o estaria a fazer, já Trump acha-se mais importante que todas e quaisquer possíveis consequências. Um, é culpado mas inocente, outro diz-se vítima inocente, mas é culpado.

O que nos traz de volta à questão da responsabilidade e à nossa latitude. Por cá, a responsabilidade é sempre dos outros, é como o oposto do dinheiro, se encontras uma nota no chão, ela é tua. Já a responsabilidade, os outros que fiquem com ela! Quem a tem guarda uma grande dose de parcimónia em assumir a sua abundância. Ouvimos muitas vezes Trump dizer que é rico, mas não o ouvimos falar da grande responsabilidade que tem, tal como António Costa, Eduardo Cabrita, Marta Temido ou Francisca Van Dunen, estes não resistiram ao aroma do poder e influência, mas desculpam a sua responsabilidade demonstrando a fraqueza do seu carácter e a sua pequenez, porque um líder só será tão grande, quanto a responsabilidade que for capaz de assumir e esse é o preço a pagar pelo poder que tem. Aquele que quer o que os outros dispensam será sempre bem vindo.





3 de abril de 2020

3 presidentes na UCI

Ramalho Eanes, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa entram no hospital infectados com covid-19. Ainda conscientes mas muito fragilizados e com dificuldades respiratórias chegam à unidade de cuidados intensivos onde descobrem que todos os ventiladores estão ocupados ou com lista de espera. Ramalho Eanes ao ser informado deste facto, tratando-se de um homem de 30 anos e pai de filhos a pessoa a quem tiraria o lugar, transmite imediatamente ao médico chefe, ", Dr. tenho 85 anos, levei uma vida cheia e deixei um legado, deixe lá o ventilador para este jovem pai de família na flor da idade pois é o mais justo a fazer, eu já vivi muito e assim morro com honra por um compatriota meu, a minha morte não é em vão".

Cavaco Silva, ao obter conhecimento da situação e na eminência de uma criança adolescente ficar desprovida do seu suporte de vida, pede a Maria, sua mulher para se aproximar, esta diz-lhe: "Anibal, deixa lá o jovem ficar com o ventilador que eu vou já ligar para o hospital da luz e vamos transferir-te para lá imediatamente para um quarto privativo, tu como grande estadista não podes ficar nesta espelunca. Vou falar com o doutor A. imediatamente para te virem buscar e teres todas as condições para seres tratado como o homem importante que és.". "Tens razão Mariazinha e já agora vê se me arranjas um bolo rei para matar este virus à força de mandíbula".

Quando chega a vez de Marcelo, ao deparar-se com a eminente falta de ventilador, devido à sua condição de chefe de estado, é-lhe oferecido um ventilador que seria ocupado por uma mãe de 3 filhos, com 42 anos. Marcelo, agradece solenemente a nobreza da mulher ao ficar (inconscientemente) privada da sua possível via de salvação do maligno virus em nome do presidente de todos os Portugueses, tira uma selfie com ela para orgulho póstumo da família e promete condecorar a cidadã exemplar pelo seu afecto para com a maior figura do estado da Nação ao dar a sua vida por ele.

Talvez seja uma boa altura para pensarmos que a morte é previsivelmente um reflexo da nossa vida.

29 de março de 2020

Isto a propósito de vacas magras


28 agricultores chegam a uma feira de gado com as suas vacas para um concurso de beleza bovino chamado "Cornélia has got talent". Alguns deles como o Alemão, o Italiano ou o Francês têm vacas bem gordas e vistosas, são as recorrentes favoritas à vitória. Já o esloveno, o polaco, o romeno ou o lituano, o grego ou Letão só para citar alguns tem vacas digamos com mais personalidade, daquelas que choram pela paz mundial, misses simpatia portanto.
As vacas dos agricultores dos países ricos do norte da Europa no geral são bastante viçosas sendo que atingem cachets bem altos nas passerelles verdejantes, o cachet cobrado é fantástico e inclusivamente pagam menos pela ração.
No entanto nos últimos anos tem-se notado que as vacas dos países mais pobres têm engordado bastante de ano para ano, à excepção das misses Gregas e Portuguesas que têm desfilado a sua persistente magreza. Assim, nas próximas edições do "cornélia has got talent" prevê-se que as vacas Irlandesas, Maltesas, Polacas, eslovenas, Romenas, húngaras, Eslovacas, Búlgaras, Cipriotas, Estónias, Luxamburguesas, Letãs, Lituanas, Checas, Espanholas, Holandesas, Austriacas, Finlandesas, Croatas e Suecas continuem a engordar a melhor ritmo do que as Portuguesas, aproximando-se ou mantendo a glória bovina, enquanto que as portuguesas previsivelmente vão continuar a pastar para aquecer.

Moral da história, as vacas ricas engordaram tanto como as Portuguesas? Sim, até um pouco menos, mas o facto é que essas já são gordas e a nossa parece uma skinny model em deficit calórico.

No entanto é de prever neste momento que todas as misses se vão apresentar com uns bons quilos a menos nos próximos concursos.


9 de novembro de 2018

Cloud AI

Fala-se por estes dias muito em Inteligência Artificial (IA).

Pensamos em IA ou AI e imediatamente vem-nos à cabeça um robô com maiores ou menores semelhanças em relação a nós, ao nosso cão ou a um qualquer personagem de ficção cientifica que nos é familiar.

Depois surge também a ideia de que todo o conhecimento enciclopédico destas máquinas pode ser "facilmente" aproveitado da www, inclusivamente usando/adaptando logaritmos de busca de informação já largamente implementados e utilizados, eles próprios com uma componente de AI de aprendizagem continua.
Mas se fizermos a evolução paralela ao que tem sido a das plataformas e sistemas digitais até ao dia de hoje, sem sequer pensarmos no que pode surgir de novo neste aspecto, pode facilmente evoluir-se para uma arquitectura em que possa existir um ou vários cérebros algures espalhados pelo mundo e que esses cérebros emprestem a sua IA a milhares ou milhões de avatares por esse mundo fora. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que tendo em conta as possibilidades de comunicação e descentralização de dados existentes neste momento e expectáveis num futuro próximo, já se antevêem novos serviços e grandes empresas da era da IA, assim como e para além de motores de busca e cloud computing, uma espécie de democratização da super-inteligência onde podemos ligar o nosso smartphone/smartwatch/interface desktop/robô doméstico ou industrial ou até o nosso próprio cérebro a um super-cérebro capaz de uma inteligência inimaginável que pode criar milhões de avatares com milhões de funções distintas, cognitivas, mecânicas, cinéticas, etc., etc..

Agora imaginem o seguinte cenário, alguém compra um robô sexual, subscreve um serviço de avatar IA remoto e voilá! É feita a ligação remota ao cérebro do nosso humanoide que lhe dá a personalidade, voz e trejeitos por exemplo da Marilyn Monroe e, porventura, com a inteligência de um génio que faria Einstein nascer 10 vezes para chegar aos seus calcanhares...


Assim de repente surgem alguns conceitos e possíveis caminhos da IA que deverão dar muito que falar em termos éticos, políticos, geo-políticos, etc.. Alguns ouve-se falar bastante, outros nem tanto, abaixo alguns exemplos:


Adoção sintética - Adotar/perfilhar um humanoide com Avatar feito por medida, ou quem sabe, emulando um ente querido já falecido;

Download/Upload cognitivo - Fazer o upload do conteúdo cerebral e perfil emocional/personalidade de um humano para um Avatar ou para a cloud, em vida ou post morten, permitindo assim uma espécie de Avatar "invertido" na cloud, podendo fazer-se ou não depois o download para outro Avatar;
Hacking social - E se de repente por via de um vírus local ou no servidor de IA remoto o seu robô pessoal resolver matar toda a sua família (envenenando o jantar por exemplo) ou a fazer chantagem? E se de repente este Avatar começar a recolher informações e a mandá-las para a Coreia do Norte ou Rússia? E se o Avatar for reprogramado para defender o extremismo, difundir e realizar atentados terroristas, assassinar uma figura mediática, etc, etc.?;
Guerra avatar - E se de repente um servidor de avatares IA na china por exemplo os fizer virar-se contra os seus utilizadores/sociedade, "enlouquecendo" os robôs industriais ligados à www, os veículos autónomos e rede de transportes, as centrais eléctricas, sistema financeiro, internet, as armas nucleares, os satélites, etc.?;
Ciborgue culture - Em vez do Avatar ser puramente sintético, através de hardware especifico será possível incrementar capacidades humanas quer físicas, quer sensoriais, quer intelectuais ou outras, fazendo a ligação a um servidor IA local ou remoto e fazendo "upgrades" de "hardware" e "software";
Bio hibrid AI server - Servidor de IA em que é utilizada tecnologia hibrida, biológica e digital/quântica para criar super-cérebros, afinal de contas, milhares de cérebros baratos de animais, humanos ou bio-cultivados a trabalhar em série poderão servir para criar um servidor IA híbrido extremamente poderoso;
Quantic AI server - O computador quântico ao serviço da IA cloud ou local;
Sinthetic crime - E se os assaltantes passarem a ser robôs manipulados pelas organizações criminosas?;
Dark AI server - Servidor IA especificamente a trabalhar para interesses criminosos, alojado na dark web e programado para fazer take-over dos avatares e/ou dos outros servidores de IA com a intenção de espalhar o terror e/ou servir interesses obscuros.

Enfim, fala-se muito agora e vai continuar a falar-se cada vez mais de IA no futuro. Percebe-se porque é que Elon Musk e Stephen Hawking só para citar alguns, temem estes avanços tecnológicos. Para já, nem sequer precisamos de pensar no perigo que esta tecnologia pode representar por si mesma devido à fronteira da singularidade* e autoconsciência mas apenas no que pode acontecer se os humanos a usarem para fins auto-destrutivos ou guiados pela ganância e instinto dominador.


Vai-se a ver e quem sabe até já será assim a alma humana, um Avatar de uma qualquer "inteligência cósmica universal" que há muito passou o ponto de singularidade criando em nós a percepção de tudo o que achamos real.


*Em 1965, I. J. Good especulou que a inteligência artificial poderia provocar uma explosão de inteligência, propondo um cenário onde, à medida que os computadores são potencializados, há o aumento da possibilidade de construção de máquinas com maior capacidade inventiva e de solução de problemas que o próprio homem. Máquinas cada vez mais capazes seriam desenvolvidas a partir desta, acelerando o auto-aperfeiçoamento recursivo, resultando numa enorme mudança qualitativa antes de quaisquer limites superiores impostos pelas leis da física ou da computação teórica.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Singularidade_tecnol%C3%B3gica